
...e ele ainda andava pela rua com seu terninho bem engomado, a gravata impecávelmente arrumada. O contrabaixo em miniatura à tira-colo estava sempre pronto e afinado.
O anonimato já causava certo desconforto; Não era assediado nos lugares e sequer era notado em alguns dos eventos onde penetrava, pois convites já não lhe lotavam a caixa de correio. Deixara de ser o predileto dos ricos e poderosos de outrora.
Pensava que talvez o fato de usar botas tivera trazido à sua figura um ar um tanto quanto esnobe. O acanhamento congênico atrapalhava quando tentava desfazer a má e equivocada impressão que causava.
A sensação de ter pisado no calo de alguém não o deixava dormir tranquilamente. Em que esquina da estrada sinuosa seu charme se perdera? Suas canções não embalavam mais os casais, suas opiniões não mais recheavam revistas e periódicos.
O povo gritando seu nome... era do que mais sentia falta. O torpor experimentado ao ser ovacionado era algo que o encatara e refrescara a alma. Difícil conviver com aquela ausência até então improvável; a solidão não lhe fora algo familiar até um mês atrás. Seria a fraca memória da coletividade a razão do banimento social e profissional? Não haveria perdão para o que , supostamente, fizera em seus passeios à capital? Houve exagero , é certo, mas havia algo oculto na voz e nas expressões de quem cruzasse seu caminho naqueles dias tão sombrios e nebulosos...
