quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Silêncio

Derretendo... Assim se sentia ante o calor físico e espiritual daqueles dias. Não saciava; queria, mais do que um dia imaginou. Necessitado de uma atenção especial, de um afago ímpar.. da presença.
Sua mente realmente parecia derreter. Esquecia o que mais existia e focado no que lhe faltava, sonhava, divagava; prometendo a si mesmo autocontrole, parcimônia, calma ou quem sabe a reclusão total. Talvez não falar por mais de uma semana..? Não emitir som, guardar para si até mesmo os suspiros do tédio. Ou bradar contra o invisível. Protestar ao vento. Quem sabe?...
Ofegante acordava, quando conseguia dormir. Olheiras enormes enfeitavam o rosto, e por que não, se já não se permitia ser visto ou visitado?
Já não era o mesmo, na verdade nunca foi ,desde que abraçou a âncora e afundou. Descobriu prazer em respirar submerso e lá ficou.
Percebeu apreço por estar inerte e estancou.
Sentiu o silêncio atravessar seus ouvidos e sangrou... ou melhor, derreteu desencanto e se calou.

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